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Meio ambiente: natureza e cultura

Em uma linguagem religiosa podemos dizer que meio ambiente é tudo aquilo que Deus colocou em existência nos primeiros seis dias da Criação

*) RiCARDO ERNESTO ROSE é Consultor e jornalista, com especialização em gestão ambiental e sociologia. Graduado e pós-graduado em filosofia. É autor de “Como está a questão ambiental – 100 artigos sobre a relação do meio ambiente com a economia e as mudanças climáticas” (2010), “Os recursos e a cidade” (2013) e “A religião e o riso & outros ensaios de filosofia e sociologia” (2013). Editor do blog "Da natureza e da cultura" (www.danaturezaedacultura.blogspot.com.br). Seu site profissional é www.ricardorose.com.br


pelo menos vinte anos escutamos falar cada vez mais sobre temas ecológicos. A proteção do meio ambiente, o aumento da poluição, a exaustão dos recursos naturais, o uso dos recursos hídricos, a conservação das florestas, o aquecimento global, a gestão dos resíduos urbanos. São todos temas que se incluem na questão ambiental, tão tratada pela mídia e cada vez mais importante nas decisões políticas e econômicas de nações e empresas, além de afetar diretamente a vida do cidadão comum.

Saiba como funciona o mercado de crédito de carbono

  Crédito de carbono 
A partir dos anos 2000, entrou em cena um mercado voltado para a criação de projetos de redução da emissão dos gases que aceleram o processo de aquecimento do planeta. Trata-se do mercado de créditos de carbono, que surgiu a partir do Protocolo de Quioto, acordo internacional que estabeleceu que os países desenvolvidos deveriam reduzir, entre 2008 e 2012, suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) 5,2% em média, em relação aos níveis medidos em 1990.

O Protocolo de Quioto criou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que prevê a redução certificada das emissões. Uma vez conquistada essa certificação, quem promove a redução da emissão de gases poluentes tem direito a créditos de carbono e pode comercializá-los com os países que têm metas a cumprir.
“O ecossistema não tem fronteira. Do ponto de vista ambiental, o que importa é que haja uma redução de emissões global”, ressalta o consultor de sustentabilidade e energia renovável, Antonio Carlos Porto Araújo.
Durante a última Conferência do Clima (COP 17), realizada em 2011, na África do Sul, as metas de Quioto foram atualizadas e ampliadas para cortes de 25% a 40% nas emissões, em 2020, sobre os níveis de 1990 para os países desenvolvidos.

Ibama divulga lista com 35 grandes empresas autuadas por biopirataria, veja a lista!

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgou o nome das 35 empresas que foram autuadas até o dia 13 de julho, na fase 2 da Operação Novos Rumos, que atua no combate a biopirataria. Atendendo ao cumprimento da Lei de Acesso à Informação (12.527/2011), o Vermelho teve acesso a uma listagem em que é possível constatar que a maior parte é de multinacionais que atuam no país, na área farmacêutica e de Cosméticos.
Entre as marcas mais conhecidas estão Avon Industrial, Ambev, Companhia de Bebidas das Américas, Casa Granado, L’oreal Brasil, Laboratórios Pfizer, Merck, Novartis, Unilever, Vitaderm, Weleda. Não foram localizados porta-vozes das empresas.

Diferentemente da 1ª fase, quando foram aplicadas sanções leves por se tratar de casos em que houve tentativa de regularização, agora, as empresas autuadas na 2ª fase arcarão com medidas mais rigorosas por terem ignorado a legislação vigente (Lei 5.459/05). 
 

O papel da floresta nas mudanças climáticas

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas e o Centro Estadual de Mudanças Climáticas (CEClima) lançaram a cartilha “A Floresta Amazônica e Seu Papel nas Mudanças Climáticas”, publicação que explica de forma simplificada o papel da Floresta Amazônica no contexto das mudanças climáticas. Os autores Maria Thereza Campos e Francisco Gasparetto Higuchi adotaram uma linguagem simples e acessível para tratar de temas como: o que é floresta e os serviços ambientais prestados por ela, o que é e como se calcula a biomassa das florestas e o papel que estas exercem nas mudanças climáticas.
A publicação aborda o papel fundamental das florestas na estabilização das concentrações dos gases de efeito estufa e na minimização dos efeitos das mudanças climáticas, por serem grandes “armazéns de carbono”. Mas mostra também que a importância das florestas não para por aí e que elas também ajudam a manter o ciclo das chuvas, a estabilizar o clima, a conservar a biodiversidade, e que sua manutenção traz benefício não apenas para as populações que a habitam, mas para o Brasil e para o mundo.
A cartilha faz parte do Programa Estadual de Florestas e Serviços Ambientais amazonense, que tem entre seus objetivos desenvolver projetos de Redução de Emissões do Desmatamento e da Degradação Florestal (REDD), que auxiliem no combate ao desmatamento no Estado, além de promover ações para consolidação da base de dados sobre os estoques e sequestros de carbono nas florestas do Amazonas, para que projetos de pagamento por serviços ambientais possam ter bases científicas sólidas.
Conheça a cartilha “A Floresta Amazônica e Seu Papel nas Mudanças Climáticas”, na Biblioteca do site.


Fonte : IPAM

Mapa mostra emissões de CO2 dos países do Anexo 1


O Secretariado da Convenção do Clima, em parceria com o Google e o governo da Dinamarca, lançou um mapa online  (http://maps.unfccc.int/di/map/) que permite a visualização de dados das emissões de gases de efeito estufa dos países do Anexo 1, através do Google Maps. O mapa pode ser apresentado de várias formas: emissões nacionais totais ou redução de emissões, emissões ou reduções por setor industrial e mudanças nas emissões em números absolutos ou em porcentagem em comparação com o ano base. 

A Convenção do Clima também disponibiliza na internet um sistema de arquivos em áudio (http://cdm.unfccc.int/about/multimedia/podcasts/index.html) cujo objetivo é dar transparência e divulgar os projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), em linguagem simples. Em inglês, os podcasts tratam de assuntos como o que é MDL, como participar, como países em desenvolvimento podem se beneficiar.

Fonte: IPAM

Desmatamento foi quase zero em três biomas, diz MMA



Ministério do Meio Ambiente afirma que a implementação de melhores técnicas agrícolas ajudou a manter a perda da cobertura vegetal da Mata Atlântica, do Pantanal e dos Pampas abaixo dos 0,18% entre os anos de 2008 e 2009

O Ministério do Meio Ambinete divulgou nesta quinta-feira (10) dados referentes aos anos de 2008 e 2009 do Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite (PMDBBS) que mostram uma  queda no ritmo do corte da vegetação no período na Mata Atlântica, no Pantanal e nos Pampas.

Nenhum dos três biomas apresentou um desmatamento acima de 0,18%, o que pode ser atribuído em parte aos avanços de produtividade e de pesquisa agrícolas. Uma prova de que o Brasil não precisa destruir para crescer.  

 “Não há tanta necessidade de expansão de área para aumentar a produção”, explicou o secretário-executivo de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias.

Nota Técnica - Índice de Desmatamento no Amazonas


Está disponível a Anásile do índice de desmatamento na Região Amazônica feita a partir dos dados do DETER/INPE, no período de junho de 2010 e junho de 2011.
Os referentes dados mostram que 312,69 Km² da Amazônia Legal foram desmatados no mês de junho de 2011, sendo registradas 336 alertas sobre o desmatamento. O Estado do Amazonas encontra-se em 4º lugar no ranking do desmatamento com 41,68 km² (13,33% do total).
Os municípios que apresentaram os maiores índices de desmatamento, em relação a junho de 2010, foram: Humaitá, Canutama e Maués. Aqueles que apresentaram redução nas taxas de desmatamento foram: Apuí, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini e Eirunepé.

Análise completa sobre o índice de desmatamento 2010/2011 pode ser visualizada aqui: 


Fonte: Centro Estadual de Mudanças Climáticas - CECLIMA
Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimeto Sustentável - SDS

Assessoria de Comunicação SDS / CECLIMA               
(92) 3659-1823 / 3236-5503
                                                                                                                          
Veja também (Link) Mapa desmatamento 2011

Greenpeace Brasil







Qual é a importância do reflorestamento na mitigação das mudanças climáticas?

As atividades de reflorestamento promovem a remoção ou “sequestro” de CO2 da atmosfera, diminuindo a concentração deste gás de efeito estufa e, consequentemente, desempenhando um importante papel no combate à intensificação do efeito estufa. A remoção do gás carbônico da atmosfera é realizada graças à fotossíntese, permitindo a fixação do carbono na biomassa da vegetação e nos solos. Conforme a vegetação vai crescendo, o carbono vai sendo incorporado nos troncos, galhos, folhas e raízes. Cerca de 50% da biomassa vegetal é constituída de carbono, e a floresta amazônica é um grande estoque mundial de carbono pela sua área e densidade de biomassa (armazena cerca de 136 toneladas de carbono por hectare(20)).


As atividades de reflorestamento foram reconhecidas pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e pelo Protocolo de Quioto como medidas mitigadoras de grande importância no combate às mudanças climáticas. Elas foram vinculadas ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, estimulando a obtenção de recursos para a sua implementação. Mais recentemente, as atividades de reflorestamento foram incorporadas no conceito de REDD+, o qual prevê ações que promovam o aumento dos estoques de carbono em países em desenvolvimento.
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(20) Nepstad, D. et al. Custos e Benefícios da Redução das Emissões de Carbono do Desmatamento e da Degradação (REDD) na Amazônia Brasileira. Relatório lançado na Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima (UNFCCC), 13ª Conferência das Partes (COP-13). Bali, Indonésia (dezembro de 2007)

Quem são os grandes emissores de gases de efeito estufa?

Historicamente, os países industrializados têm sido responsáveis pela maior parte das emissões globais de gases de efeito estufa. Os Estados Unidos é o país líder na emissão destes gases. Entretanto, na atualidade, vários países em desenvolvimento, entre eles China, Índia e Brasil, também se posicionam entre os grandes emissores. Mesmo assim, numa base per capita (ou seja, calculando o total de emissões de um país dividido pelo tamanho de sua população), os países em desenvolvimento continuam tendo emissões mais baixas do que os países industrializados. Como pode ser observada tabela abaixo, o Brasil se apresenta como quarto maior emissor de gases de efeito estufa, segundo dados de 2005(12) que contabilizam as emissões causadas por mudanças de uso do solo tais como desmatamento. Em 2006, a China ultrapassou os EUA com a emissão de 1,66 bilhões de toneladas de carbono e se tornou o líder das emissões mundiais (20% do total) por queima de combustível fóssil. (13)
Se considerarmos os maiores emissores mundiais apresentados pelo gráfico, é interessante notar que apenas estes 20 países respondem por 77,4% das emissões globais resultantes da queima de combustível fóssil mais mudanças no uso do solo, uso do solo e florestas (baseado nas emissões registradas em 2005).
Em relação à fonte de emissão, também pode se observar um padrão global. A maior parte das emissões decorrentes da queima de combustíveis fósseis provém dos países industrializados e as decorrentes das mudanças no uso da terra dos países em desenvolvimento.
 
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(12) Fonte de dados para países não-Anexo I em relação as emissões por LULUCF: Houghton, R.A. 2008. Carbon Flux to the Atmosphere from Land-Use Changes: 1850-2005. In TRENDS: A Compendium of Data on Global Change.  Fonte de dados para países não-Anexo I em relação as emissões por queima de combustível fóssil: Boden, T.A., G. Marland, and R.J. Andres. 2009. Global, Regional, and National Fossil-Fuel CO2 Emissions. Carbon Dioxide Information Analysis Center, Oak Ridge National Laboratory, U.S. Department of Energy, Oak Ridge, Tenn., U.S.A. doi 10.3334/CDIAC/00001. Fonte de dados para países Anexo I: UNFCCC. National greenhouse gas inventory data for the period 1990-2007 FCCC/SBI/2009/12 , 21 October 2009)
(13) World’s countries ranked by 2006 total fossil-fuel CO2 emissions. Tom Boden, Gregg Marland, and Bob Andres. Carbon Dioxide Information Analysis Center. Oak Ridge National Laboratory - http://cdiac.ornl.gov/trends/emis/tre_coun.html )

Terra o Planeta Azul

Hoje em dia o problema é a qualidade e a quantidade da água, fato que não se verificava no passado. A água abundante, o solo fofo e produtivo levou o homem, ao uso desordenado da água e do próprio solo, chegando a se esquecer os ensinamentos dos nativos que foram os primeiros a racionalizar os seus usos.


O presente trabalho versa sobre a problemática da água no planeta Terra e no Brasil, onde foi apresentada uma análise crítica, seguida de sugestões.
Água conforme foi apresentada neste se mostra, um problema evidente na Terra do futuro, pelo fato de seu mau uso pela população atual de nosso planeta, pois se continuarmos como estamos a Terra deixara de ser o Planeta Água.

Política Nacional do Meio Ambiente / Direito Ambiental



A Política Nacional do Meio Ambiente foi estabelecida em 1.981 mediante a edição da Lei 6.938/81, criando o SISAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente). Seu objetivo é o estabelecimento de padrões que tornem possível o desenvolvimento sustentável, através de mecanismos e instrumentos capazes de conferir ao meio ambiente uma maior proteção.
As diretrizes desta política são elaboradas através de normas e planos destinados a orientar os entes públicos da federação, em conformidade com os princípios elencados no Art. 2º da Lei 6.938/81.
Já os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, distintos dos instrumentos materiais noticiados pela Constituição, dos instrumentos processuais, legislativos e administrativos são apresentados pelo Art. 9º da Lei 6.938/81.
Estrutura Básica do SISAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente)
O Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISAMA, congrega os órgãos e instituições ambientais da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, cuja finalidade primordial é dar cumprimento aos princípios constitucionalmente previstos e nas normas instituídas, apresentando a seguinte estrutura:
 
CONSELHO DE GOVERNO: Órgão  superior  de assessoria ao Presidente da República na formulação das diretrizes e política nacional do meio ambiente.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA): Órgão consultivo e deliberativo. Assessora o Governo e delibera sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente, estabelecendo normas e padrões federais que deverão ser observados pelos Estados e Municípios, os quais possuem liberdade para estabelecer critérios de acordo com suas realidades, desde que não sejam mais permissivos.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA): Planeja, coordena, controla e supervisiona a política nacional e as diretrizes estabelecidas para o meio ambiente, executando a tarefa de congregar os vários órgãos e entidades que compõem o SISAMA.
INSTITUTO BRASILEIRO DE MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS (IBAMA): É vinculado ao MMA. Formula, coordena, fiscaliza, controla, fomenta, executa e faz executar a política nacional do meio ambiente e da preservação e conservação dos recursos naturais.
ÓRGÃOS SECCIONAIS: São os órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de programas, projetos, controle e fiscalização das atividades degradadoras do meio ambiente.
ÓRGÃOS LOCAIS: Órgãos municipais responsáveis pelo controle e fiscalização de atividades degradadoras.


É bom saber

Gestão da água é estratégica para o futuro



O 3º Relatório Global das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, elaborado com a participação da Unesco e divulgado este ano, conclui que a demanda global por água tem aumentado significativamente em função do crescimento e da mobilidade populacional, da elevação do padrão de vida de parte da população e de uma maior produção de alimentos e de energia, incluindo os biocombustíveis. Deve ser considerado ainda o impacto das mudanças climáticas como elemento adicional de perturbação do ciclo hidrológico.
Essas processos têm repercussões na qualidade e na disponibilidade de água, podendo resultar ainda em eventos extremos, tais como secas e enchentes, que muitas vezes são agravados em cenários de estresses hídricos ocasionados pela ação do homem e de conflitos pelo uso já presentes. Também são fatores que merecem atenção o comprometimento dos mananciais por efluentes e a interação da água com o lixo urbano, o que se deve, em países como o Brasil, ao saneamento insuficiente e à ausência de manejo abrangente de resíduos sólidos.

Desmatamento na Amazônia


Protesto do Greenpeace contra desmatamento na Amazônia. 
O protesto ocorre no segundo dia da Conferência do Clima da ONU.
Durban, África do Sul , Novembro de 2011.



Suécia tem cidade sem lixo

                                                        Borás a cidade sem Lixo

 
Em Borás, na Suécia, a maior parte dos resíduos sólidos gerados pela população de cerca de 64 mil habitantes é reciclada, tratada biologicamente ou transformada em energia (biogás), que abastece a maioria das casas, estabelecimentos comerciais e a frota de 59 ônibus que integram o sistema de transporte público da cidade.Em função disso, o descarte de lixo no município sueco é quase nulo, e seu sistema de produção de biogás se tornou um dos mais avançados da Europa.
"Produzimos 3 milhões de metros cúbicos de biogás a partir de resíduos sólidos. Para atender à demanda por energia, pesquisamos resíduos que possam ser incinerados e importamos lixo de outros países para alimentar o gaseificador", disse o professor de biotecnologia da Universidade de Borás, Mohammad Taherzadeh.
Taherzadeh falou durante o encontro acadêmico internacional Resíduos sólidos urbanos e seus impactos socioambientais, realizado em São Paulo.
Promovido pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Universidade de Borás, o evento reuniu pesquisadores das duas universidades e especialistas na área para discutir desafios e soluções para a gestão dos resíduos sólidos urbanos, com destaque para a experiência da cidade sueca nesse sentido.

Gestão de resíduos sólidos

De acordo com Taherzadeh, o modelo de gestão de resíduos sólidos adotado pela cidade, que integra comunidade, governo, universidade e instituições de pesquisa, começou a ser implementado a partir de meados de 1995 e ganhou maior impulso em 2002 com o estabelecimento de uma legislação que baniu a existência de aterros sanitários nos países da União Europeia.
Para atender à legislação, a cidade implantou um sistema de coleta seletiva de lixo em que os moradores separam os resíduos em diferentes categorias e os descartam em coletores espalhados em diversos pontos na cidade.
Dos pontos de coleta, os resíduos seguem para uma usina onde são separados por um processo óptico e encaminhados para reciclagem, compostagem ou incineração.
"Começamos o projeto em escala pequena, que talvez possa ser replicada em regiões metropolitanas como a de São Paulo. Outras metrópoles mundiais, como Berlim e Estocolmo, obtiveram sucesso na eliminação de aterros sanitários. O Brasil poderia aprender com a experiência europeia para desenvolver seu próprio modelo de gestão de resíduos", afirmou Taherzadeh.
Plano de Gestão de Resíduos Sólidos brasileiro
Em dezembro de 2010, foi regulamentado o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos brasileiro, que estabelece a meta de erradicar os aterros sanitários no país até 2015 e tipifica a gestão inadequada de resíduos sólidos como crime ambiental.
Com a promulgação da lei, os especialistas presentes no evento esperam que o Brasil dê um salto em questões como a compostagem e a coleta seletiva do lixo, ainda muito incipiente no país.

"Lei do lixo" prevê logística reversa e cuidados com lixo eletrônico.

De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 18% dos 5.565 municípios brasileiros têm programas de coleta seletiva de lixo. Mas não se sabe exatamente o percentual da coleta seletiva de lixo em cada um desses municípios.
"Acredito que a coleta seletiva de lixo nesses municípios não atinja 3% porque, em muitos casos, são programas pontuais realizados em escolas ou pontos de entrega voluntária, que não funcionam efetivamente e que são interrompidos quando há mudanças no governo municipal", avaliou Gina Rizpah Besen, que defendeu uma tese de doutorado sobre esse tema na Faculdade de Saúde Publica da USP em fevereiro.

Coleta seletiva e reciclagem

Na região metropolitana de São Paulo, que é responsável por mais de 50% do total de resíduos sólidos gerados no estado e por quase 10% do lixo produzido no país, estima-se que o percentual de coleta seletiva e reciclagem do lixo seja de apenas 1,1%.
"É um absurdo que a cidade mais importante e rica do Brasil tenha um percentual de coleta seletiva de lixo e reciclagem tão ínfimo. Isso se deve a um modelo de gestão baseado na ideia de tratar os resíduos como mercadoria, como um campo de produção de negócios, em que o mais importante é que as empresas que trabalham com lixo ganhem dinheiro. Se tiver reciclagem, terá menos lixo e menor será o lucro das empresas", disse Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.
Nesse sentido, para Raquel, que é relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos de moradia adequada, a questão do tratamento dos resíduos sólidos urbanos no Brasil não é de natureza tecnológica ou financeira, mas uma questão de opção política.
"Nós teríamos, claramente, condições de realizar a reciclagem e reaproveitamento do lixo, mas não estamos fazendo isso por incapacidade técnica ou de gestão e sim por uma opção política que prefere tratar o lixo como uma fonte de negócios", afirmou.

Produtos verdes

A pesquisadora também chamou a atenção para o fato de que, apesar de estar claro que não será possível viver, em escala global, com uma quantidade de produtos tão gigantesca como a que a humanidade está consumindo atualmente, as políticas de gestão de resíduos sólidos no Brasil não tratam da redução do consumo.
"O modelo de redução da pobreza adotado pelo Brasil hoje é por meio da expansão da capacidade de consumo, ou seja: integrar a população ao mercado para que elas possam cada vez mais comprar objetos. E como esses objetos serão tratados depois de descartados não é visto como um problema, mas como um campo de geração de negócios", disse.
Na avaliação de Raquel, os chamados produtos verdes ou reciclados, que surgiram como alternativas à redução da produção de resíduos, agravaram a situação na medida que se tornaram novas categorias de produtos que se somam às outras. "São mais produtos para ir para o lixo", disse.

Gaseificadores

Uma das alternativas tecnológicas para diminuir o volume de resíduos sólidos urbanos apresentada pelos participantes do evento foi a incineração em gaseificadores para transformá-los em energia, como é feito em Borás.
No Brasil, a tecnologia sofre resistência porque as primeiras plantas de incineração instaladas em estados como de São Paulo apresentaram problemas, entre os quais a produção de compostos perigosos como as dioxinas, além de gases de efeito estufa.
Entretanto, de acordo com José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, grande parte desses problemas técnicos já foi resolvida.
"Até então, não se sabia tratar e manipular o material orgânico dos resíduos sólidos para transformá-lo em combustível fóssil. Mas, hoje, essa tecnologia já está bem desenvolvida e poderia ser utilizada para transformar a matéria orgânica do lixo brasileiro, que é maior do que em outros países, em energia renovável e alternativa ao petróleo", destacou.

Fonte: Agência FAPESP
                                                       

Por que os biomas brasileiros nunca estiveram tão ameaçados

Nos mais de 40 anos em que frequenta a Lagoa do Peri, localizada no sul da ilha de Florianópolis e conhecida por ser a maior lagoa de água d...