Dentre as 200 nações do mundo atual, apenas 17 países possuem em seus territórios cerca de 70% da biodiversidade, representada pelas espécies animais e vegetais hoje existentes. Esta e outras conclusões estão em um estudo e no mapa de megadiversidade apresentados pela organização ambientalista Conservation International. O estudo traz boas e más notícias para nós brasileiros. O Brasil é o campeão mundial em biodiversidade __ dono da maior parte das florestas intactas do planeta, é o país mais rico do mundo em plantas e animais __, porém, não só utiliza pouco os recursos internacionais existentes para a proteção dos seus ecossistemas, como também é um dos países que mais destrói o meio ambiente. Os dados do estudo foram extraídos da bibliografia existente sobre o assunto e da consulta a especialistas. O resultado está no livro Megadiversidade: As Nações Biologicamente mais Ricas do Mundo, com 300 páginas, publicado em inglês e espanhol, lançado em dezembro de 1997 em Washington. O estudo enfatiza que os esforços conservacionistas nestes 17 países são cruciais para proteger a grande maioria das espécies de animais e plantas da Terra. "Esse estudo é uma tentativa de chamar a atenção em nível internacional e também dos governos desses países para que se faça algo em favor do ambiente", disse Haroldo Castro, diretor de comunicações internacionais da organização. "Assim como os países G7 (Grupo dos Sete) concentram a maior parte da riqueza econômica do mundo, mais de dois terços da riqueza biológica do planeta estão nos 17 países megadiversos. Isto representa uma grande responsabilidade e também uma oportunidade única, até mesmo econômica, para estes países", explica o presidente da Conservation International Russel Mittermeier, idealizador do conceito de megadiversidade.
"Somos hoje 5,8 bilhões de habitantes no planeta e chegaremos a curto prazo, a oito bilhões. Os seres humanos estão ocupando cada vez mais espaço na Terra. Como resultado, estamos eclipsando outras espécies e, nos próximos 30 anos, as atividades humanas poderão ser responsáveis pelo desaparecimento de cerca de 20% das espécies existentes. Devemos encontrar soluções para esta questão, pois, caso contrário, poderemos sofrer a maior extinção de vida no planeta, apenas comparada a ocorrida há 65 milhões de anos, quando um meteorito gigante chocou-se com a Terra, terminando a era dos dinossauros", alerta, no prefácio do livro, o norte-americano Edward Wilson, professor emérito da Universidade de Harvard, considerado uma das maiores autoridades em biodiversidade.